Escolha uma palavra e deixe o Umikizu falar sobre isso...

Parando de graça...

Meu rei, se achegue porque tenho algo importante pra lhe falar.
Não to aqui pra rir da desgraça, não! Essa ideia é muito maquiavélica pra quem pensa bem.
Rir do tombo ao invés de ajudar, fazer graça com a morte de inocente, transformar abuso de poder em paródia só pra rir, rir de graça, sem nenhuma frustração? Não, não e não!
Amigo, vem mais perto, pra ouvir direitinho, sem deixar nada de fora dessa cabeça oca que tu tem, rir da desgraça, de graça, não tem graça nenhuma, vice? Rir dos problemas, sem prestar serviço de ajudar quem sofre é a mesma coisa que quando a gente era zoado na escolinha e ninguém te ajudava. Não era legal na época, continua não sendo legal agora, aquele monte de coleguinha rindo de rolar no chão, enquanto você chorava vermelho de vergonha, sem ninguém pra te estender a mão.
Então quando parar de rir, presta bem atenção, que por mais que você não seja mais zoado hoje, outro está sendo feito de bode expiatório no seu lugar, sentindo o que você sentiu quando seu coleguinha te sacaneou, a classe inteira riu, a professora não acudiu e você se sentiu um nadinha no seu canto, sozinho.
Não tem graça, né? Pois é. Acorda piá!
Vamo se ajudá, pra modi'muda um pouquinho o nosso quintal.

A situação no país ta uma caca, não que seja exclusividade, já que o planeta todo ta em crise. Essa crise que não se acha solução, começa na ganância dos grandes e termina na risada dos pobres. Coitados.
Uma crise inventada, acreditada e perpetuada, enfeitada com um período de bonança antes da tempestade, que veio desproporcional, muito mais forte que a festa. Crueldade de quem não passa fome nem tem crediário que não seja milionário. Consequência dos abusos e das impunidades, que continuam como o pó pesado que não foi condenado e voltou ao senado, empurrado pra debaixo do tapete. Tudo isso é pior que bullying. Tudo isso é mais real do que a televisão mostra, com um condenado pra parecer que o problema ta resolvido. A vida real não é filme pra ter um final tão rápido assim, não.
Nosso problema pra solucionar precisa de coragem, muita coragem de gente unida e que não pense só na própria barriga, que abra mão um pouquinho do que quer, pra conseguir pra todo mundo o que a gente precisa!
Vamo se ajuda? Assim é que nossa vida vai miorá de verdade. Sem rir das desgraças e sim tirando a graça de quem se aproveita da gente, acabando com a festa de quem usa nossos recursos e nosso suor pra coisa errada.

Simplificar #3 - Liberte-se!

Nós ainda vivemos numa sociedade com papéis muito bem definidos, o papel do homem, o papel da mulher, o papel das crianças, e dentre esses papéis, os papéis que desempenhamos no trabalho: um empresário é mais importante que a faxineira, quem tem faculdade é mais importante que quem não cursou o ensino médio completo e por aí vai. A formação da família, o certo e o errado, a rotina, a disciplina, as regras, as leis, as ordens dos pais e dos superiores, o que fazer e o que não fazer, o fazer dos outros, mesmo que não interfira nas nossas vidas, e muitas outras convenções do conhecido "senso comum" são informações que crescem com a gente depois de introduzidas pela sociedade através da cultura herdada por ela. Essas informações determinam também quem você é, seu caráter, moldam a personagem que você vai desempenhar na sociedade. Quem é o personagem que você apresenta para todos, todos os dias? Você o reconhece nos momentos de intimidade, ou ao menos pode incluir a sua personalidade nesse personagem?

São perguntas cruciais para perceber até que ponto sua personalidade é livre para manifestar suas vontades e seu verdadeiro Eu. Por isso o Simplificar dessa vez vem para falar desse tema e pedir que você tente buscar alforria desses grilhões... quero dizer, padrões! Especialmente, de algumas amarras sociais que podem não te fazer tão bem quanto você imagina. Talvez por não combinarem com sua personalidade, mas você carrega para cima e para baixo porque aprendeu assim. E é muito simples se livrar dessas amarras e de coisas que não combinam com você: Questionando.

Não somos encorajados a questionar. Desde a infância, passando pelo colégio, no trabalho e especialmente pelo governo. Quando crianças, não podíamos perguntar aos nossos pais o porque de uma ordem, as crianças que questionam demais são chatas e irritantes, são reprimidas até que aprendam a não mais responder para os pais. Na escola, quem faz perguntas demais, especialmente no final da aula é o CDF que fica atrasando a saída da turma, é alvo do que hoje chamamos de bullying. Nas empresas, questionamentos são insubordinação. E o governo, bem, com a falta de encorajamento e prática no questionamento, os jovens adultos não sabem nem fazer o pedido do próprio lanche sozinhos, imagine fazer um questionamento correto aos governantes? Felizmente essa fase de "manda quem pode, obedece quem tem juízo" na criação dos filhos está acabando, mas a geração que foi criada por ela ainda tem esse efeito ativo de não questionar, não porque não queiram, mas porque foram educadas; o mais correto seria dizer doutrinadas; a não fazê-lo.

Psyche abrindo a caixa dourada
John Waterhouse (1903)
Indicação do artista Murilo Braga
Questione. Faça perguntas até que não tenha mais dúvidas. E o mais importante, antes de qualquer coisa, questione-se você mesmo. Pergunte se quer fazer algo ou não. Se quer estar naquele lugar, naquele emprego, com aquelas pessoas, ou não. Consulte seu Eu interior e sua personalidade, num momento calmo e sem influências externas, converse consigo mesmo e encontre suas vontades, sua moral, sua ética, todos as variáveis e interesses que fazem jus a quem você é, e que guiarão seus passos de forma clara e lúcida.

Sua personalidade e seus sentimentos estão de acordo com o que as outras pessoas acham que é o certo e o errado? Sua personalidade está em paz com as decisões que você toma e com o ritmo de vida que leva no dia a dia? Pergunte mais e consulte mais o seu inconsciente, converse com sua personalidade e então encontre pontos em comum entre você e ela. Sua verdade interior virá a tona e integrará suas ações como personagem. Suas convicções e seus objetivos estão aí dentro, gritando por atenção e devem ser ouvidos para que finalmente libertem-se! Largue as dúvidas e faça perguntas, questione, expresse sua vontade e sua real personalidade. Então você vai se encontrando, até que desperte e sua personagem torne-se sua personalidade. É um dos atos mais sublimes do ser humano.
Encontre-se, questione. Liberte-se!

Ignorar...

Não tenho o dom
E não acho de bom tom
Ignorar qualquer pessoa

Ninguém merece ignorância
Não importa quem é, quem seja
Ignorar alguém por divergência
Deveria ser pensado duas vezes
Vinte vezes mais, de cabeça fresca

Não concordo com você
Não posso te ignorar

Não confio em você
Não devo te ignorar

Não gosto de você
Pra quê te ignorar?

Ignorar alguém é tão pequeno
Ignorância é tão inferior
De opinião a posição social
Ignorar é um ato tão brutal,
Tão mesquinho e egótico
Que me da ânsia!

Ignorar e ser ignorado
Dois ignorantes tão preocupados
Com o que o outro sente,
Sabe e pensa, que não veem.
O ignorante não aprende
Não compartilha, não tenta
Segue sem saber que ignorar
Não compensa...

Diminuindo o ritmo...

Sem medo do que vão pensar.
Eu estive pensando muito ultimamente e então, eu resolvi parar.
Diminuir o ritmo e a adrenalina, deixar a mente descansar um pouco.
E assim, pensar claramente, agir democraticamente, andar livremente e amar verdadeiramente.
Desacelera, vai? Faz bom...

umikizu - dominuindo o ritmo


Não posso pensar como se só eu estivesse certo.
Por exemplo, tudo que conseguimos até hoje, é porque existe alguém que precisa ou que gosta ou que quer. Pode ser algo que "faz mal", como biscoito recheado, mas não mata e, se alguém gosta, é porque faz parte da terapia dessa pessoa, da fase dela. Pra quê obrigar todo mundo a se alimentar de forma saudável sendo que cada um tem o seu tempo? Obrigar uma pessoa a entrar na "sua" linha de raciocínio, por mais que seja de boa vontade e pautada em pesquisas científicas, é um desrespeito e pode ter circunstâncias muito piores para aquela pessoa que simplesmente comer um doce cheio de gordura hidrogenada.
Algumas vezes, precisamos aprender as lições sozinhos. Algumas vezes, já sabemos as lições, mas nossa etapa é de ir contra o que sabemos, ir contra porque é o que vai nos fazer bem no final das contas.

Vivemos num mundo democrático e livre, com suas ressalvas já que somos influenciados por inúmeras fontes político-sociais, mas somos livres para fazer, comer, ser quem e o que queremos. E claro, o que podemos de acordo com nossas capacidades financeiras e psicológicas. Imagine que à partir de hoje somos obrigados a seguir uma filosofia de vida totalmente saudável, com alimentação natural e orgânica, sem doces, sem gorduras e frituras, somente legumes, verduras e cereais. Além de ser um desrespeito com a liberdade, o choque da mudança de rotina e alimentação deixaria muita gente perdida, fora isso, as empresas alimentícias, a grande maioria, fechariam suas portas. Seria uma grande reforma para o planeta e com o tempo a população teria melhorado sua saúde e diminuiria a obesidade e blá blá blá. Por outro lado, milhões perderiam seus empregos, acabaria a liberdade das pessoas de escolher seu estilo de vida e isso afetaria o mundo muito mais que simplesmente a sua alimentação.

O que quero te mostrar com uma história absurda dessa é que o mundo hoje é um sistema vivo e que depende de todas as realidades para continuar vivo. Uma mudança drástica de comportamento e uma mudança radical baseada na necessidade e realidade de uma pessoa ou um grupo pode influenciar negativamente grande parte da população, desfazendo o equilíbrio sem considerar o tempo de cada um e a liberdade que temos de escolher e de viver nosso próprio momento. Usei o exemplo da alimentação porque sempre vemos os noticiários e temos essa campanha universal por uma alimentação saudável que transforma algumas pessoas em ativistas fanáticos. Algumas pessoas querem mudar o mundo sozinhas, baseadas na sua experiência e, sem se importar com os outros e a fase que passam em seu aprendizado, acabam fazendo mal tentando ajudar. Uma mudança radical na vida de uma só pessoa vai fazer a diferença somente na vida daquela pessoa porém, a mudança tem que partir da pessoa. Obrigar que as pessoas sigam sua visão e adotem seu estilo de vida por você acha melhor, é acabar com o equilíbrio e com a liberdade que cada um tem de experimentar e de viver. Se você quer saber um exemplo clássico sobre isso: Nazismo. Não parece ser uma boa coisa de se repetir, certo?

Por isso, desacelere. Você não é a pessoa mais correta do mundo, nem será a que fará sozinha a diferença pela evolução e melhoria de toda a população. O papel de cada um de nós é muito mais importante na nossa comunidade e com as pessoas que vivem ao nosso redor que com o mundo todo. Podemos informar e mostrar caminhos diferentes, mas a escolha é de cada um. Você pode ser contra que uma criança coma biscoito recheado, mas para a criança, aquilo é uma delícia! E proibir que o mundo coma biscoito recheado porquê "faz mal" é ser bastante egoísta. Por isso, pense melhor antes de proibir que alguém faça, coma, use sua liberdade para algo que você não concorda. E antes de ir contra, leve em consideração sua caminhada e as coisas que você aprendeu em comparação com a caminhada da outra pessoa. Diminui o ritmo de seus julgamentos. Isso se chama: Empatia.