Escolha uma palavra e deixe o Umikizu falar sobre isso...

Aos pedaços... de quem?






Aos insensatos:
Um pedaço da minha vida
uma vida inteira, em pedaços
que se não estivessem partidos
seriam uma loucura só!

E aos loucos:
As palavras seguidas
que seguem um fluxo incerto
descabidas e atrevidas
como a vida que as conta.

Pedaço primeiro:

Era criança e não queria nada diferente.
Seria menos contente se não fosse,
perderia o sorriso do rosto sem idade,
importante é que está a salvo; a criança.
Vivo, segue risonho pelas altitudes da vida
sem destacar as feridas, só as casquinhas doloridas,
que teimosos cutucamos para tirar.
Ah criança!

Pedaço segundo:

Começou em uma atividade linda!
Brilhava, era deus na sua área, sem saber.
Mandava e era consultado sobre o que fazer.
Era aclamado, batia e corria mais. Sem mais.
Que mais queria?

Criava vidas, dava e tirava o que gostasse.
Leal, legal, divertido, popular. Genial!
Toda galera o adorava, adorava sem medidas.
Perdidas se encontravam na sua empreitada.
Divindade tão amada... novidade jovial!

Pedaço terceiro:

A vida nos sonhos
linda e livre
não destaca bem
a ímpar realidade
não mostra na verdade
o quanto destrói a humanidade.

Despertar é caro
destrói os músculos
as sinapses e símbolos
mudam de cor, negro
escorre púrpura
pede uma cura
que não vem sem sacrifícios
sem peito aberto e carne viva.

Pedaço quarto:

Sussurros de uma mente insistente.
Uma criatura deu-se errado
Cuidado, coitado do mestre
Não era mais tempo, já era...

Quimera, criatura ferrenha
Escutando, densa escuridão
Prendeu-se dentro dele, só
Queimou-lhe, fez sem força...

Entregou-se, o que não era
fracamente às ilusões, véu
deixando de lado, na terra
os seus louros, eram só pó...

Pedaço quinto:

Revendo, desvendo o desafio
Seja pó, véu ou chuva púrpura
Não mais dói seus insultos
Tardou, mas você falhou

Eu que já era vivo, brilho
E de novo me reergo luz
Entrego-me sozinho à mim
Que mais quero?

Mando, desmando, te derramo
Destaco de você o meu vazio
Que só eu bem sei como é
Agora; poder é o que sou

Posso, falo e acontecemos
O mundo sem limites, sem véus
Sem sangue, sem fel e angústias.
Brilhante, triunfante e feliz!

Pedaço sexto:

Não teria olhos, olhares, nem olheiras
fosse por te querer mais e mais perto.
Não tenho porém lágrimas, já que meus olhos estão úmidos das alegrias que me são caras, das carícias que me afagam e das delícias que me dispara... 
Ah, maravilhas da gente, que não se compara, nem se compreende com olhares de fora.
Visão turva dos olhos, visão seca da razão que se choca com o coração, de onde escapo sem demora, ao chegar a aurora de te reencontrar...


Pedaço sétimo:

Após a tempestade;
Mesmo que tudo seja destroços, refazemos e consertamos o nosso invólucro. Reforçamos os alicerces e tornamo-nos fortes.
Agradecemos a toda sorte de testes que nos fizeram passar, feridos de corpo e alma, mas íntegros.
Aquele ser singular que mesmo em pedaços não se desfaz nem desmonta,
pois existe no suspiro e no sentimento o que o deixa completo.
Coração aberto, sorriso no rosto, e amor no olhar.

3 comentários :

  1. Me sinto insano em me despedaçar, pois não consigo juntar os pedaços e continuar.
    Me sinto sozinho ao me reencontrar, procurando a felicidade que não voltará.
    Me desfaço do velho para me reinventar, me tornando um ser mais forte e completo a te encontrar.
    Me faço robusto para te agrupar, conseguindo uma nova felicidade de um louco que espero nunca acabar.

    Felipe oliveira 23/03/2014.

    ResponderExcluir
  2. Nunca acabar? Acabar o que? Não se acaba o que apenas começou.
    Penso no começo, desde o começo, como algo sem final, afinal dessa forma curtimos todas as possibilidades, até que elas não mais existam.
    Começa num suspiro ou numa reação química, segundos de duração no máximo.
    À partir de então, o tempo não faz diferença e a dança é plena e eterna enquanto durar.
    Sabemos que um dia acaba, e no final, será como o começo. Um suspiro, talvez uma tristeza, mas dura o mesmo tanto, tanto que pra mim só parece começar mais uma vez!

    ResponderExcluir
  3. Simplesmente emocionante. Delicioso. Uma perfeita simetria de palavras que me deixaram totalmente extasiado ao mastigá-las. Sem mais palavras.

    ResponderExcluir

Comente. Há um mar de pensamentos e você pode pescar um peixe que ninguém mais conhece. Assim são as palavras no mar do Umikizu!