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Malvados...

Arte: Helen Stratton
Eu observo o mundo moderno como um mundo malvado. As pessoas não se ajudam, não tem compaixão e nem tem o mesmo relacionamento que tinham alguns anos atrás, quando o conceito de comunidade era fortemente praticado. Hoje cada um vive no seu próprio mundo, cercado de grades e muros altos por todos os lados, protegendo seus pertences e sentimentos do mal do mundo, mas trancando-se com seu próprio mal.

É um mundo frágil, cheio de complexos e doenças psicológicas, repleto de saídas cientificamente provadas e desculpas de matérias que encontramos em revistas de bem estar, preocupados em manter um padrão que ninguém quer, mas precisa seguir, para ser aceito pela maioria, para ter status. Um padrão que já lutamos tanto, e por tanto tempo, para nos libertar.

É um mundo de insegurança, com tanta informação sendo arremessada por todos os lados ao mesmo tempo é muito fácil se confundir, já que há muita informação contraditória e, no pior dos casos, inútil! Porém, pintadas de cores vibrantes, algumas até com led piscante pra ficar mais bonito, e com selo de alguma instituição de renome para completar e trazer credibilidade.

O mal desse mundo não me tocou, continuo vivendo como se estivesse no tempo que ninguém tinha Internet, os muros eram baixos e que para conversar com os amigos bastava sair na rua e brincavam a tarde toda. Telefone era muito caro, então falávamos com a família, com quem realmente se importava com a gente, e matava-se a saudade numa visita de final de semana que não precisava ser agendada para não ser inconveniente. Um mundo sem muitos recursos e mordomias, mas também sem a escravidão de padrões de conduta ou de beleza, em que se aceitava sua real condição e fazia-se o possível, sem sacrifícios malucos, para melhorar. As melhorias aconteciam progressivamente em proporção ao seu esforço.

Me chame de chato, de velho ou de retrô, mas o mal desse mundo não me tocou e não preciso mudar o que eu sou, os valores que aprendi, e que realmente valem alguma coisa, pela loucura da modernidade e tecnologia, que transformou nossa humanidade em automática aceitação e reprodutora do pensamento de outrem em realidade, mesmo contra sua real vontade.

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