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Crônicas do Guardião #6: Efêmeros...

Por muito tempo tive que pensar e refletir sobre a razão pela qual retomei uma vida mortal depois de tanto tempo vivendo entre os imortais. Pois que era para entender a urgência que acomete ambas as vidas, mortais e imortais. E a efemeridade de ser mortal, que se completa com o final daquela existência, exaltando seus feitos e suas vitórias, a remissão de todos os erros e defeitos. Já para os imortais, existe a eterna necessidade de ser, a responsabilidade pelo que se é e se faz, pois a morte não se permite para o perdão do que fazemos, portanto vitórias e defeitos assombram os imortais eternamente.

Contudo, a existência imortal não é do conhecimento mortal deste plano, pois tudo que se sabe sobre a imortalidade são contos de fadas, dos mais sangrentos, tática humana para doutrinar os jovens e acalentar os velhos. Futilidades, como tudo que costumam fazer com o pouquíssimo tempo que tem em vida. Cada um lutando bravamente contra o relógio e o calendário, imaginando que o Tempo é só isso. E acreditando que se sua existência é curta, deve ser memorável! Mas eles próprios não tem boa memória, esquecendo o que realmente importa, trocando por algo que passa ainda mais cedo que seu tempo de vida.

Tudo na vida humana é muito rápido, inclusive seus sentimentos e pensamentos, tudo tem de acontecer em velocidade máxima, para que possam aproveitar e aprender muitas coisas em sua existência, porém pouquíssimos aproveitam ao máximo a vida que tem, pois a velocidade os impede de observar a beleza de cada momento e cada pessoa. Em especial esquecem-se de dar valor às pessoas e preferem dar atenção ao que passa mais rápido que eles, as novidades e os projetos, pois as pessoas vivem tanto quanto podem e as novidades e oportunidades morrem bem mais cedo. Quanto mais curta a vida útil, mais e mais interessante para os mortais, mas perdem o intereresse em algo tão rápido quanto ganham. Talvez seja alguma compensação, que nas mentes mortais possa fazer algum sentido. Algo como: "eu vou morrer, mas aquele objeto vai antes de mim."

Isso também acontece com os animais de estimação, que eles querem como companheiros, mas não passam de objetos. É triste ver a realidade mortal, entende?
Mas há muitos pontos positivos, como a capacidade que tem, a força de vontade com que lutam pelo que querem e a felicidade e leveza com que são capazes de viver, sem o peso da imortalidade, eles são livres para experimentação e sabem que tanto as falhas quanto os acertos serão apagados pela senhora Morte, e que no final das contas abraçarão o destino em paz de espírito. Uma paz que não tarda e é certa de chegar.

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