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É um pouco estranho...


Sentimentos. Silenciosamente sentado na escada da entrada de casa, não sabia exatamente o que fazer, nem onde colocar a cabeça, se nos joelhos, nas mãos, no chão. Talvez deitar aqui um pouco... 'Sim, vou deitar um pouco, talvez seja isso, só cansaço...' Não era. Deitei todo torto, ficou tudo ainda mais desconfortável. Inconfortável!

Estar apaixonado e ao mesmo tempo não saber o que é que se sente, o que está realmente espremido no peito, ou exprimido na face, que se contorce à presença de certas pessoas, impossibilitada de esconder os pensamentos que fogem de uma raiva infantil até uma coerente vontade de sair do lugar, deixar vagar e passar todo esse ressentimento que prende o ar.

Eles não sabem o que acontece na mente e no coração da gente quando passam perto de nós, sem intenção nenhuma, mas que o corpo magnético e cheio de magia, puxa o olhar de forma que nem mesmo pretendemos disfarçar para não ficar pior a emenda. Eles passam, a gente fica de olho, olhando nos olhos, no peito, no queixo. Eles passam e a gente fica aqui, sentado e perdido em ilusões.

E se eles não passassem? Seria diferente? A gente esqueceria? Não saberia responder, pois eles passam insistentemente, e é recorrente esse momento, todos os dias, e todas as vezes a mesma coisa, olhando, sorrindo, o peito se enche de algo mais junto com o ar.
O que é estar sempre do lado de alguém que é estranho? O que é ser um estranho quando todos te conhecem, mas no fundo não fazem ideia de quem você é?

Estranhamente a gente entende então que a relação não é dentre duas pessoas e sim dois desconhecidos. O que se passa no meu mundo pode ser exatamente igual para aquele ser que tanto admiro ou que tanto desprezo. Qual é a diferença? Os corpos, os ventos, os anos, mas os sentimentos, inacessíveis pela distância de ambos, podem ser gêmeos idênticos.

É tão estranho que pessoas tão próximas fisicamente tornem-se estranhas conhecidas, que se cumprimentam por essa tal educação, que lhes falta no restante do dia, e da qual fazem uso a contragosto. Mas estranho mesmo é o amor que se sente por esse estranho tão próximo de ser indiferente sobre sua realidade, sobre sua existência. Mais estranho que isso tudo, é ser estranho para si mesmo...

Me levantei da escada, entrei em casa, tomei um banho e me deitei de verdade na minha cama. A cabeça continuava pesada de tantos sentimentos e pensamentos sobre você. Um esboço de sorriso apareceu e uma lágrima secou no travesseiro. O que se passa aqui dentro não é capaz de esconder que os olhares são verdadeiros e o sentimento que mais me agrada não é te ver todos os dias passar por mim, mas que por todos os dias eu vejo você passar e te olho nos olhos, vejo seu sorriso, seu queixo... e o peito se enche de ar, os olhos de água e, depois que se fecham, eu finalmente posso sonhar.

Um comentário :

  1. "Mas estranho mesmo é o amor que se sente por esse estranho tão próximo de ser indiferente sobre sua realidade, sobre sua existência completa. Mais estranho que isso tudo, é ser estranho para si mesmo..."

    Ser estranho para si mesmo deva ser degradante!

    Parabéns. Seu texto nos leva aos recônditos d'alma.

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