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Sumiu o espetacular crepúsculo...

Passeio ao Crepúsculo - Van Gogh
O céu, agora escuro, mostra só o que ninguém quer ver. Escuridão de uma cidade velha, com ruas sem ninguém e um miado bravio da orgia felina.
Uma vez por dia, essa escuridão desaparece com as esperanças, já que as estrelas não brilham através da poluição humana. E a Lua cansou de se misturar ao monóxido de carbono, escondeu-se em meio as nuvens e perdeu o brilho.

Mas a cidade quieta na penumbra tem guardados em cada prédio diversos sonhos, alguns pesadelos e poucos insones jogados pelos cantos. Serve-se aguardente no copinho de café, uns petiscos fresquinhos e no alto de uma torre um gringo toma whisky regado à música clássica. Cenário típico de uma periferia ousada, que se auto intitula cidade moderna.

E de lá surgiu certa vez um rapazote de incrível destreza manual, que esculpia em pedra e madeira suas lamúrias, tentativas frustradas de deixar a cidadezinha e partir pra capital. "De lá sim, poderia fazer arte que fosse boa pra fora do meu quintal". Juntou as trouxas, vendeu seus móveis, guardou o resto embaixo do braço e partiu à pé pro rumo errado. Caiu nas graças de uma diaba brava que lhe roubou tudo que já não tinha. Perdeu-se na penumbra de mais um dia, de um sonho com cor de  cinzas.

Sumiu o espetacular crepúsculo, donde a Lua não saia, nem arte ou rapazote sem alegria. E outra noite enevoada fez calar a gataria com o choro surdo e doído dos pesadelos ganhados pela pinga nos copinhos e pelo whisky batizado de um falso doutor ancorado na chaminé.

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