Escolha uma palavra e deixe o Umikizu falar sobre isso...

Tenho apenas 3 minutos...

Os meninos já foram-se deitar, a água do chá está quase fervendo, é tarde da noite e estou morrendo de sono. Coloco uma música calma para relaxar um pouco enquanto tudo vai aquietando por dentro também. Mas com esse silêncio no ar, as vozes em minha mente ficam ainda mais altas. Ouço-as perfeitamente bem e falam de tudo um pouco. Fico louco.
A chaleira apita, é hora de dissipar as ideias que me rodearam o dia todo, respirar fundo e sentir o ar preencher-se de erva-doce. Passando devagar a água quente pelo saquinho das ervas do chá, vendo colorir o incolor da água e perfumando de sabores dando água na boca. E nessa hora a campainha toca.

O chá ou a porta? Deixa o chá descansar, tampa a caneca e corre pra fora. Mas que surpresa é essa, você na entrada de casa, me fazendo esquecer de vez tudo que se passava na mente, e o coração pula como criança que tomou café. Faço-me de bobo e no escuro pergunto:
- Quem é?
Depois de um tempo, pareceu que te confundi ou te ofendi, respondeu baixinho:
- Seu carinho.
Derreti! Me recompus, acendi a luz e depois de esfregar os olhos, abri o portão. Bem pouquinho, o sono não deixou-me ter noção de espaço e mesmo espremidinho, você passou, veio me dar um abraço e eu não resisti.
- O que faz aqui?

Parou, me olhou com ternura, deixou a mão escorrer pelo meu rosto cansado e sem dizer palavra me levou pra cozinha. Me sentou na cadeira em frente ao chá já prontinho, colocou mais água na chaleira, espremeu duas gotinhas de beijos na minha boca e 3 de adoçante no meu chá. Me esperou recuperar os sentidos, colocou a água fervendo no chá de limão e sentando do outro lado da mesa me deu a mão.
- Vim te colocar pra dormir. - disse com cara de satisfação.
Tomamos nosso chá juntos e em silêncio. Nada mais se passava na minha mente e meu coração estava calmo e mais aquecido que o líquido em minha boca; mas não mais doce. Ele me olhava nos olhos, um sorriso torto e safado no rosto. Derreti; de novo. Me colocou na cama e apagou as luzes, me enchendo de beijos até que caí no sono. Era um sonho...

Acordei e o sol já estava alto no céu, o dia era lindo e ele dormia tranquilo ao meu lado. No criado da esquerda uma caixinha e no outro da direita uma tábua com café, torradas com margarina derretida e umas bolachinhas de nata, que só a mãe dele sabe fazer. Ele já estava acordado e agora com um olho só aberto me olhava com um sorriso largo de satisfação.
Levantou, serviu meu café e antes que eu saísse do banho estava pronto para me acompanhar. Levou-me ao trabalho e de lá se despediu.
- Amanhã eu volto. Cuidado quando voltar pra casa.
Deu um beijo tranquilo, demorou pra perceber que tinha me deixado em frente ao escritório, e saiu andando enquanto cantarolava:

- Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim,
Que nada nesse mundo levará... você de mim...

Nenhum comentário :

Postar um comentário

Comente. Há um mar de pensamentos e você pode pescar um peixe que ninguém mais conhece. Assim são as palavras no mar do Umikizu!