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50 tons de sexo...

Anastasia Steele (Dakota Johnson)
Sabe, é preciso muita coragem e muito estômago para aguentar um debate. Ainda mais, ter a disposição de aprender alguma coisa nova. Muita gente não tem... e eu achava que não teria mente aberta, nem estômago, para assistir ao filme 50 Tons de Cinza, baseado no livro de E. L. James, mas assisti e devo confessar: eu gostei! O filme me surpreendeu do começo ao fim, gostei de Jamie Dornan interpretando Christian Grey, mas gostei mais de Dakota Johnson no papel de Anastasia Steele. E gostei ainda mais do filme por não ser sobre sexo. Não, não é sobre sexo.

O real motivo pelo qual fui motivado a escrever sobre esse filme, e esse assunto, foram as enxurradas de preconceito e maldições que as pessoas estão lançando sobre o filme e sobre o sadismo na internet, que me fizeram pensar muito, e refletir sobre quão incoerente é esse puritanismo que as pessoas exalam quando falam sobre a história, simplesmente por ela tirar das sombras um assunto que é delicado de se falar na frente de todo mundo, começando pelo sexo, mas indo além, até o sadismo. Apesar do preconceito começar com as pessoas que não assistiram ao filme e não leram o livro, que eu também não li e não tenho vontade de ler, ela continua a ponto de condenar o que não conhecem e julgar só pelo que os outros falam, o que me emputece extremamente, pois isso ainda é feito, por exemplo, com a homossexualidade. Até hoje os homossexuais sofrem discriminação exatamente porque as pessoas não conhecem e julgam pelo que os outros acham certo ou errado. Imagine sobre o sadismo, que uma simples pesquisa no Google é capaz de chocar até quem gosta de dar umas palmadas mais fortes na cama?

Para desmistificar a coisa toda sobre o filme, tem bem menos cenas de sexo que "Os Sonhadores" (The Dreamers de 2003) em que um jovem estadunidense vai estudar em Paris em 1968, quando estão ocorrendo revoluções civis na França, e fica hospedado na casa de um rapaz e uma moça, irmãos gêmeos, filhos de um poeta que está fora por 1 mês. Eles tomam banho juntos numa banheira, eles transam na cozinha, e transam explicitamente, já que o filme trata sobre a descoberta do sexo. Em 50 tons de cinza as cenas de sexo são sempre em closes bem fechados, com todo o cuidado de não mostrar nada demais do homem, como manda o figurino, a mulher pode estar exposta e o homem não pode aparecer, senão vira escândalo. Ainda vivemos num mundo machista e o filme não foi diferente disso, infelizmente é um ponto bem negativo.

Em nenhum momento Anastasia é forçada a fazer algo que não quisesse, em nenhum momento Christian, como dominador, maltrata, distrata ou força a menina doce a fazer suas vontades. Existe um contrato que Christian apresenta a Anastasia, que ela não assina, que determina todas as circunstâncias e as atividades detalhadamente. Em uma cena maravilhosa no filme, eles tem uma reunião de negócios onde discutem os termos do contrato e Anastasia toma o controle de toda a situação. Todo o momento ela é quem toma todas as decisões contanto que ela seja submissa a todas as vontades do dominador. Christian faz várias concessões às exigências da senhorita Steele, que depois de provocá-lo, finaliza a reunião e vai embora. Uma mostra de que ela não é tão inocente assim.

No mais, durante todo o filme você vai assistir uma quebra de paradigmas e a desconstrução da imagem de monstro do sexo de Christian e a construção de uma mulher que sabe jogar e usar sua perspicácia, aproveitando as oportunidades que lhe são dadas para aprender mais sobre o seu poder e conseguir desfrutar de aventuras que não imaginava que eram possíveis. Nas cenas de sexo, Christian é o dominador, mas o que se mostra é um sadismo soft, que no filme serve como uma exploração dos sentidos, o toque, os estímulos e as diversas possibilidades que não são exploradas no sexo casual naturalmente aceito por todo mundo. Se assistir sem pré-conceitos, vai ficar até estimulado a tentar, porque não é nada demais! Nada a mais, ouso dizer! E segundo relatos, é bem diferente do livro.


Christian Grey (Jamie Dornan)
Você pratica o sadismo? Já foi convidado a praticar? Sabe como é ou já experimentou? Se você respondeu sim a alguma dessas perguntas, comente sobre.
Agora se respondeu não às perguntas, responde mais uma: te incomoda que as pessoas pratiquem? Primeiro sexo, depois sadismo? Vamos abrir a mente, afinal o mundo é plural. E o mercado do sexo e também do sadismo é muito abrangente. Qualquer visita a um Sex Shop prova que existe sempre alguém disposto a tentar algo mais ousado. Não é você, não tem problema, ninguém está te obrigado, nem vai te obrigar. Mas falar sem conhecer e julgar sem nem assistir o filme é desrespeitar o trabalho dos profissionais envolvidos na produção, e você só está mostrando ignorância.

Antes de mais nada, assista e tire suas próprias conclusões, ou não assista mas não faça o papel de moralista sem saber do que se trata. Eu me surpreendi positivamente com o filme e acho que não engana nem manipula ninguém. É um filme que mostra um romance muito mais realista, onde as pessoas fazem sexo, tem problemas de relacionamento, mas não fazem o melodrama novela das 8 que as pessoas estão acostumadas. Experimente e depois me diga o que achou.

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