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Cama de gato...

© Baila Goldenthal - Cat's Cradle / String Theory, 2008
Por muitos dias venho conversando comigo mesmo sobre uma vontade, que passa pela mente e percorre o corpo todo, uma necessidade de tato que aguce os sentidos, completando o quebra-cabeças de se encaixar com alguém inteiro. Já faz algum tempo, eu venho mentalizando e cultivando esse encontro, sobre estar com alguém com quem se queira estar, envolver. Desenrolar. Mas esse alguém, quem é?

Será que é isso que me prende? Pensar que alguém precisa ter nome, endereço, telefone e documento com foto? Afinal de contas minha vontade é de me encontrar com alguém, e esse alguém pode ser qualquer um. Pode ser você, e pode ser alguém do Panamá! O que está solto nessa história toda é que não há nada que me ligue em você, nem que me ligue ao Panamá. Uma noite apenas. Uma boa noite. Boa noite.
O que me ligaria a alguém? Onde está aquele fio de prata que me liga a minh'alma, onde está o fio dourado do destino, para que eu possa segui-lo e dar uma olhada no caminho que me leva até o fim desse incerto coração?

Nossa vida é cheia desses fios multicoloridos, como as cores que formam o arco-íris e que emanam dos nossos chacras em todas as direções. Passei a vida desembaraçando os meus, cuidando para que nenhum desse nó, para que não atrapalhasse nenhum outro fio, para que não incomodasse ninguém. Hoje eles são uma cama de gato! Nenhum fio se toca, nenhum forma laço, nenhum dá nó para prender nada nem ninguém.

Moiras
Alguém há de tocar nesses meus fios tão arrumadinhos, causar uma bagunça que vai me tirar dos eixos, criar uma confusão onde a gente se enrole cada vez mais enquanto tenta reorganizar, e permaneçamos amarrados nas cores reforçadas pelos fios mais coloridos que duas pessoas podem precisar. Mas que seja certo que o fio de prata das nossas almas se entrelacem um no outro, não como almas gêmeas, e sim como das almas que foram separadas pelos deuses quando eles não sabiam o que fazer com o amor. E que os nossos fios dourados brilhem forte e façam música enquanto dançam nossos destinos em um grande espetáculo fazendo com que as Moiras se demorem mais um pouco para corta-los novamente, nos separando um do outro até que sejamos, mais uma vez alguém só, somente.

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