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Dois passos pra lá...

- Oi, por favor, vá mais pra lá. Obrigado.
Não quero nem encostar, não quero ninguém colado em mim.
É que não estou com vontade de perder a concentração.
Ainda nem me encontrei, não quero perder o pouco que conquistei.

Mas o distúrbio é irrequieto, e aos poucos se aproxima.
- Amigo, já pedi, se aproxime da distância de mim.
- Desculpe. Mas até que te encoste, ainda estou longe.
- Não é bem assim. Sai de mim, que não quero nem mesmo te sentir.

Ele saiu. Tenho mais espaço para minha mente agora vazia.
Paz e um pouco de sossego. Só que me incomodava com ele.
Sua presença persistia, e minha cabeça não desligava da sua dança.
- Vai mais dois passos pra lá, vai? Me deixa pensar, eu imploro!

- Sente a música menino! Vem dançar comigo e se esquece...
Pegou minha mão, me segurou na cintura e carregou uma dança,
não era uma valsa, nem um jazz, mas era estranhamente bom.
Poderia ser tango, sempre quis aprender. Mas era uma dança qualquer.

Olhos nos olhos, os passos eram simples, dois pra lá, três pra cá,
um girinho no meio, nos separamos depois, sem parar de nos olhar.
Qualquer que fosse o objetivo do meu pensar, agora não era mais.
E dancei com aquele estranho, num desejo de jamais me afastar...

Estatua de David Wall, por Enzo Plazzotta - Londres - julho de 1985

3 comentários :

  1. Ah bendita seja a musicalidade, só ela me faz levitar e sorrir sem nem saber porquê. sensação de felicidade e pronto. "[...] dois pra lá, três pra cá, [...]"

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    1. Que feliz estou que tenha te feito sorrir!
      Feliz dia a ti! `^^´

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  2. Que lindo! Adorei!
    Bjos,
    Helena

    http://doslivrosumpouco.wordpress.com

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