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O Descobridor da América - Wesley Silva...

THE DISCOVER OF AMERICA
(O DESCOBRIDOR DA AMERICA)
*Traduzido do Inglês Britânico
*Manuscrito encontrado numa garra no litoral brasileiro

19 de julho de 1348
“Eu, Eduard Wolf, estou aqui sozinho na porta de minha casa cheia de lembranças tristes e fúnebres, para não ser pessimista. Acabo de chegar do enterro dos meus pais, ambos vítimas desta desgraça que devasta a Europa, a peste negra, doença que a cerca de seis meses vem matando milhares de pessoas na Inglaterra. Não tenho muito o que fazer agora, além de escrever neste meu diário, sempre amigo, confidente dos males que passo frequentemente, que aceita estas quase sempre malditas palavras e as guarda com toda restrição.
Há tempos que ouço falar de uma nova terra, onde meus ancestrais celtas teriam já pisado, desvirginando suas praias, mas ninguém que tenha ido após eles voltou para confirmar se esta história era real ou não. Eu não tenho mais esperanças de viver em terras britânicas, amanhã mesmo partirei em meu barco em busca de encontrar esta terra nova, e juro por meus pais que não serei vítima desta terrível doença.”
Assim como havia escrito, no dia seguinte bem cedo Eduard, junto ao seu barco lançaram-se ao mar, sem a mínima noção de que o que ele queria era quase impossível. Quem iria imaginar que entre onde ele estava agora, e a tal terra nova, existia um gigante chamado Oceano Atlântico, que era muito cruel e poderia engoli-lo em suas águas sem nem mesmo perceber. Wolf deixava sua vida certa naquele país para se perder em incerto mar.
“Diário de Bordo, 20 de julho. A viagem está tranquila, já não vejo mais minha maldita terra natal. Durante o dia fez muito calor, mas bastou o manto noturno cair e o clima mudou. Está muito frio agora no convés. Sinto saudades da minha família, apesar de saber que eles estarão sempre comigo, também sinto falta dos meus amigos, mas este sentimento com certeza vai se desfazer conforme eu me distanciar da Inglaterra. Assim espero”.
Deitado em sua cama Wolf sente as águas do Canal da Mancha batendo em seu barco, que ele batizou de Fugitivo, ao tentar dormir pensa mais uma vez em seus pais, George e Mary Wolf. Vendo os dois felizes, correndo um atrás do outro, e assim por dias ele teve o mesmo sonho. Por três meses Eduard sobreviveu do que havia trazido no barco, pão e vinho. Mas o suprimento estava acabando juntamente a água pura e cristalina. As noites eram muito frias e ele se espantava ao ver as imensas pedras de gelo (icebergs) sobre as águas marítimas, que o fazia achar que ter bebido muito vinho e estava delirando.
“Diário de Bordo, 12 de outubro. O suprimento já está acabando. Estou quase sem água e poucas esperanças me restam de encontrar terra nova.”
            Eduard foi dormir e então sentiu uma pancada barulhenta vindo de fora do barco. No primeiro momento pensou estar sonhando, mas logo em seguida escutou novamente o estrondo e resolveu subir até o convés para ver o que estava acontecendo. Aves sobrevoavam o mastro do barco e o homem começou a comemorar, pois se haviam aves, haveria terra firme, e isso significava que ele havia conseguido, encontrou a terra nova. Ao longe viu um verde vasto na costa e o quanto mais sua embarcação se aproximava ele pode constatar que eram arvores.
            “Diário de Bordo, madrugada de 13 de outubro. Pisei em terra firme após dois meses e vinte e cinco dias, não sabia o que fazer o dia já estava amanhecendo. O local é muito bonito, cheio de árvores e aves cantando por toda parte. Agora vou caminhar e ver se encontro algo para comer.”
            Eduard caminhou por volta de uma hora e meia, mais ou menos seis quilômetros. Como não sabia caçar se contentou comendo raízes e pequenas frutas. Depois voltou para a margem, onde se encontrava seu barco. Com galhos e folhas de bananeira construiu uma pequena cobertura na praia e com alguns gravetos fez uma fogueira.
            Algum tempo depois o inglês se aquecia na fogueira, enquanto o limiar da noite, um som adentrava seus ouvidos. Parecia de pessoas cantando numa língua estranha e resolveu procurar a origem daquele som. Andou no meio da mata virgem algum tempo até que encontrou uns vinte homens pulando e cantarolando ritmicamente em volta de uma fogueira, com um tipo de bambu enfumaçado na boca. Ele ficou espantado vendo aqueles seres de pele vermelha e longos cabelos negros, de corpos pintados, e ficou bem quieto para que não o vissem. Ao tentar se afastar acabou se embaralhando nas arvores e chamando atenção dos nativos. Estes pararam o ritual e foram em direção a ele, que chamou atenção ao espiar. Eduard se afastava bem devagar, não ouvia mais os sons e começou a correr com certo pavor entrelaçado nos olhos, temendo a reação daquela espécie para ele desconhecida. Correu incessante com o suor deslizando sobre seu rosto e num olhar rápido e certeiro, a surpresa e o medo se demonstravam presentes no jovem, pois os pele vermelhas estava ao seu redor, com lanças e arco e flechas nas mãos. De repente, numa fração de segundos todos eles se ajoelharam e levantando as mãos ao alto gritavam: “Anhangá”. O britânico se espantou com aquela reação e ficou observando aqueles homens selvagens num rito de adoração para com ele, o tratando como um deus.
            Nesse espírito de “eu teocêntrico” ele se deixou levar e uma hora depois estava sentado em uma cadeira feita de bambus e cipó bem no meio da floresta. Isso o fez perceber a inteligência daqueles seres humanos que ficavam a sua volta dançando, cantando e o servindo com o mais variado tipo de frutas. Aquele idioma era estranho e para um homem criado no berço da literatura inglesa era no mínimo incompreensível.
            Os dias se passavam seguidos pela noite e assim foi-se uma semana. O estranho era que Eduard não aceitava as carnes de caças que aqueles homens o oferecia, era vegetariano.
            Naquela mesma noite dois nativos, fortes e armados se aproximaram dele e o seguraram pelos braços, enquanto um terceiro acertou uma lança bem no lado esquerdo do seu peito, atingindo o coração. Enquanto seu corpo agonizava, sangrando, Wolf se lembrou de seus pais antes de morrer dizendo: “I discovered the new world!”

28 de julho de 2014
Um paleontólogo estuda fosseis em um sitio de antigas tribos indígenas que viveram no litoral americano e encontra uma ossada diferente dos nativos.
Obs: Só mais uma coisinha. Estudos linguísticos sobre as antigas tribos indígenas constataram que “Anhangá” significa: Deus protetor das caças.

The end


Wesley Silva

Wesley Silva Oliveira nasceu em Uberaba – MG no dia 22/12/1984. Capricorniano, sempre gostou de literatura. Ingressou na faculdade de Letras, mas não terminou. Aos 22 anos mudou-se para Sumaré-SP, apaixonou-se e reside na cidade até hoje. Compositor, poeta e gestor cultural é funcionário da Secretaria de Cultura Esporte e Lazer de Sumaré.

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