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Outros Condicionamentos - Alexandre Soares...

Respiro. Expiro.
Estranhamento me define. Me desfine.
Ao que era. Ao que sou.
Um casamento que foi desfeito pelo tempo.
Pelo processo doloroso e camuflado, a mudança.
Mudei. Viajei. Destranquei. Não sei se tranquei.

Às portas da confusão: estou aqui.
No fundo, claro, não poderia me faltar a canção que tanto me transpõe no velho e complicado vórtice temporal onde sou acima de tudo colocado e tudo vejo.
Agora, com um olhar mais estranho. Ao que chamam de maduro.
Algumas lágrimas que me vem aos olhos por um não sei porque.

É passado. Tornar à escrita eu ainda não sei.
Ou sei, mas sei que sei que não sei.
Novamente, torno a me utilizar de licença poética.
Vadeio pelo papel. Vadeio pela vida.
Não mandrio, vivo.
E agora sou um pedaço consciente.
E agora tenho que pegar em minhas mãos e tracejar com os olhos abertos.
E agora me tatuaram a palavra autonomia nas costas.
Na testa. Nos braços. No olho.
Eu olho.
Sou sujeito.
Sujeitamente sujeitado, tenho que me sujeitar.
É para isso que vim.
Para isso que fomos e vamos.
Sujeitem-se a si,
A sis (porque são muitos)
A meu pai eterno no céu (não esse céu que rola à boca solta, mas um lugar que só ele sabe e conhece, e que talvez jamais saberei em vida)

Minhas gratificações pela espera
Pela esperança
Pela bonança.
Pela boa vizinhança.
E pelos tantos momentos de deslágrimas (quem não souber, me pergunte) que tenho vivido.
Não sei o que escrever agora.
Paro, pego meu resto de bolo barato.
Meu leite ralo que quase não existe no copo.
Poemar. Poemar. Poemar.
Mar. Chorar?
Não chorei.
Nem tudo são lágrimas.
Quase sinto saudade das lágrimas.
Um condicionamento não muito salutar, que se vai e me deixa o gosto de falta.

Tenho um computador!
Tenho um diário!
Tenho um local pra jogar!
Tenho!
São poucas bobagens, simplicidades, em muito vaidades, mas que só me sabem escorrer pelos olhos um dia sofridos - e hoje regados - como o que chamam de felicidade.

Acho que se não tirar a música não pararei de escrever.
Outros condicionamentos…

Alexandre Soares
Estudante de Artes Visuais, tenho 20 anos e sou morador de Goiânia. Para mim, só algumas letras, desabafos. Para alguns, poema. Gosto de desenhar, e aquilo que escrevo é o meu pedaço mais sincero. Meu envolvimento com a arte começou em 2013 e, apesar de em um momento ter tentado me desligar, ela ainda faz parte de mim. Talvez eu seja feito disso. Ainda não descobri.

Blog: http://gritossuspiroseais.blogspot.com.br/ 

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